entregar-se à Mãe...



Esta relação filial, este entregar-se de um filho à Mãe, não só tem o seu início em Cristo, mas pode dizer-se que está definitivamente orientado para Ele. Pode dizer-se, ainda, que Maria continua a repetir a todos as mesmas palavras, que disse outrora em Caná da Galileia: "Fazei o que ele vos disser". Com efeito, é ele, Cristo, o único Mediador entre Deus e os homens; é ele "o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14, 6); e é aquele que o Pai doou ao mundo, para que o homem "não pereça mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16). A Virgem de Nazaré tornou-se a primeira "testemunha" deste amor salvífico do Pai e deseja também permanecer a sua humilde serva sempre e em toda a parte. Em relação a todos e cada um dos cristãos e a cada um dos homens, Maria é a primeira na fé: é "aquela que acreditou"; e, precisamente com esta sua fé de esposa e de mãe, ela quer actuar em favor de todos os que a ela se entregam como filhos. E é sabido que quanto mais estes filhos perseveram na atitude de entrega e mais progridem nela, tanto mais Maria os aproxima das "insondáveis riquezas de Cristo" (Ef 3, 8). E, de modo análogo, também eles reconhecem cada vez mais em toda a sua plenitude a dignidade do homem e o sentido definitivo da sua vocação, porque "Cristo ... revela também plenamente o homem ao homem".


João Paulo II, EncíclicaA Mãe do Redentor1997, nº 46

Pão para a Missão...


Os dois discípulos de Emaús, depois de terem reconhecido o Senhor, «partiram imediatamente» (Lc 24,33) para comunicar o que tinham visto e ouvido. Quando se faz uma verdadeira experiência do Ressuscitado, alimentando-se do seu corpo e do seu sangue, não se pode reservar para si mesmo a alegria sentida. O encontro com Cristo, continuamente aprofundado na intimidade eucarística, suscita na Igreja e em cada cristão a urgência de testemunhar e evangelizar. (…) A despedida no final de cada Missa constitui um mandato, que impele o cristão para o dever de propagação do Evangelho e de animação cristã da sociedade.


Para tal missão, a Eucaristia oferece não apenas a força interior, mas também em determinado sentido o projecto. Na realidade, aquela é um modo de ser que passa de Jesus para o cristão e, através do seu testemunho, tende a irradiar-se na sociedade e na cultura. Para que isso aconteça, é necessário que cada fiel assimile, na meditação pessoal e comunitária, os valores que a Eucaristia exprime, as atitudes que ela inspira, os propósitos de vida que suscita.



João Paulo II


Carta ApostólicaFica entre nós Senhor


2004 – Ano da Eucaristia




Não se vive sem amor!...


O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se o não experimenta e se o não torna algo seu próprio, se nele não participa vivamente. E por isto precisamente Cristo Redentor, como já foi dito acima, revela plenamente o homem ao próprio homem. Esta é — se assim é lícito exprimir-se — a dimensão humana do mistério da Redenção. Nesta dimensão o homem reencontra a grandeza, a dignidade e o valor próprios da sua humanidade. No mistério da Redenção o homem é novamente «reproduzido» e, de algum modo, é novamente criado. Ele é novamente criado! «Não há judeu nem gentio, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher: todos vós sois um só em Cristo Jesus». O homem que quiser compreender-se a si mesmo profundamente — não apenas segundo imediatos, parciais, não raro superficiais e até mesmo só aparentes critérios e medidas do próprio ser — deve, com a sua inquietude, incerteza e também fraqueza e pecaminosidade, com a sua vida e com a sua morte, aproximar-se de Cristo. Ele deve, por assim dizer, entrar n'Ele com tudo o que é em si mesmo, deve «apropriar-se» e assimilar toda a realidade da Encarnação e da Redenção, para se encontrar a si mesmo. Se no homem se actuar este processo profundo, então ele produz frutos, não somente de adoração de Deus, mas também de profunda maravilha perante si próprio. Que grande valor deve ter o homem aos olhos do Criador, se «mereceu ter um tal e tão grande Redentor», se «Deus deu o seu Filho», para que ele, o homem, « não pereça, mas tenha a vida eterna ».


Na realidade, aquela profunda estupefacção a respeito do valor e dignidade do homem chama-se Evangelho, isto é a Boa Nova. Chama-se também Cristianismo.



João Paulo II, Encíclica o Redentor do homem, nº 10


(a sua primeira encíclica e que foi publicada em 1979)



Arriscar!...


O anúncio evangélico não é sem riscos. A história da Igreja está constelada de exemplos de heróica fidelidade ao Evangelho. Também no nosso século, nos nossos dias, muitos dos nossos irmãos e irmãs na fé selaram com o supremo sacrifício da vida a sua plena adesão a Cristo e o seu serviço ao Reino de Deus.


Diante da perspectiva da renúncia e do sacrifício, que nalguns casos pode conduzir até ao martírio, vem ao nosso encontro a palavra confortadora de Jesus: "Não temais os que matam o corpo e, depois, nada mais podem fazer" (Lc 12, 4). As forças do mal tentam contrastar o caminho do Evangelho, procuram anular a obra da salvação e matar as testemunhas de Cristo, mas precisamente o sacrifício destes corajosos trabalhadores da vinha do Senhor constitui a prova eloquente do poder de Deus. Quantos momentos de provação a Igreja superou com a força do Espírito Santo! Quantos mártires do nosso século ofereceram a sua existência pela causa de Cristo! Do seu sacrifício brotaram abundantes frutos para a Igreja e para o Reino de Deus.


A palavra de Jesus, portanto, conforta-nos e encoraja-nos no início deste novo Ano académico: "Não temais" (Ibid., v. 7). Caríssimos, não tenhamos medo de abrir as portas do nosso coração à fé, de a tornar experiência viva na nossa existência e de a anunciar sem cessar aos nossos irmãos.


A Virgem Santa, modelo de fé e sede da Sabedoria divina, nos torne fiéis discípulos do seu Filho Jesus e generosos anunciadores da sua Palavra.



João Paulo II, HOMILIA NA MISSA DE ABERTURA DO ANO ACADÉMICO DAS UNIVERSIDADES ECLESIÁSTICAS ROMANAS


15 de Outubro de 1999




Se conhecesses o dom de Deus...


Reunimo-nos hoje aqui para contemplar o amor do Senhor Jesus, a sua bondade que se compadece de cada homem, e para contemplar o seu Coração fervoroso de amor pelo Pai, na plenitude do Espírito Santo. Cristo que nos ama, mostra-nos o seu Coração como fonte de vida e de santidade, como fonte da nossa redenção. Para compreender de modo mais profundo esta invocação, talvez seja preciso retornar ao encontro de Jesus com a Samaritana, na pequena cidade de Sicar, à beira do poço, que se encontrava ali desde os tempos do Patriarca Jacob. Tinha ido ali para tirar água. Então Jesus disse-lhe: «Dá-Me de beber», e ela respondeu-lhe: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?». O evangelista acrescenta então que os Judeus não se davam com os samaritanos. E Jesus respondeu-lhe: «Se conhecesses o dom de Deus e Quem é Aquele que te diz: 'Dá-Me de beber', tu é que lhe terias pedido, e Ele dar-te-ia uma água viva (...) a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente de água a jorrar para a vida eterna» (cf. Jo 4, 1-14). Palavras misteriosas.


Jesus é fonte; n'Ele tem início a vida divina no homem. É preciso apenas aproximar-se d'Ele, permanecer n'Ele, para ter esta vida. E o que é esta vida a não ser o início da santidade do homem? Da santidade que está em Deus e que o homem pode alcançar com a ajuda da graça? Todos desejamos beber do Coração Divino, que é fonte de vida e de santidade.



João Paulo II


HOMILIA NO ENCONTRO DE ORAÇÃO PARA O ACTO DE DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS 6 de Junho de 1999 (Polónia)


Amai..


Caros missionários e missionárias! Tende um forte amor pelas pessoas e as famílias com as quais vos haveis de encontrar. As pessoas têm necessidade de amor, de compreensão, de perdão. Tornai-vos atentos e próximos sobretudo daquelas famílias que vivem situações de dificuldade, quer no plano da fé, quer no do seu matrimónio, e também no plano da pobreza e do sofrimento. (…) Amai a Igreja, da qual sois membros, que vos envia como missionários. Ensinai com a palavra e com o exemplo a amá-la. Compartilhai com ela a paixão pela salvação dos homens. Amai a Igreja que é santa, porque purificada pelo sangue de Cristo derramado na cruz. Esforçai-vos por ser santos também vós!

João Paulo II, Eucaristia de Abertura do segundo Ano de preparação para Jubileu, Novembro 1997

Sim!...


"Não temer". Eis o elemento constitutivo da vocação: pois o homem teme. Teme não só ser chamado para o sacerdócio, mas teme também ser chamado para a vida, para as obrigações dela, para uma profissão, para o matrimónio. Teme. Este temor revela também um sentido de responsabilidade, mas não de uma responsabilidade amadurecida. Deve ser vencido o temor para chegar à responsabilidade amadurecida; deve-se acolher a chamada: deve-se ouvir, deve-se receber, devem ser avaliadas as próprias forças e deve-se responder: Sim, Sim. Não temas, não temas porque encontraste a Graça, não temas a vida, não temas a tua maternidade, não temas o teu matrimónio, não temas o teu sacerdócio porque encontraste a Graça. Esta certeza, estar consciente disto ajuda-nos como ajudou Maria: Eis que "A terra e o paraíso aguardam o teu sim, ó Virgem puríssima". São as palavras de São Bernardo, palavras famosas, lindíssimas. Aguardam o teu sim, Maria. Aguarda o teu sim, mãe que deves dar à luz; aguarda o teu sim, homem que deves assumir uma responsabilidade pessoal, familiar, social; aguarda o teu sim, tu que és chamado neste Seminário a ser sacerdote. O teu sim. Este sim amadurecido, como fruto da união de dois factores: a Graça — encontraste a Graça — e as tuas forças — estou pronto para colaborar, estou pronto a dar-me a mim mesmo —. Eis a resposta de Maria; eis a resposta de uma mãe; eis a resposta de um jovem: um sim que basta por toda a vida. Hoje teme-se, algumas vezes, assumir uma responsabilidade empenhativa para toda a vida, não só no sacerdócio mas também no matrimónio. Vede, este sim por toda a vida é a medida do homem. Em primeiro lugar é a medida da sua dignidade de pessoa; e depois é a medida das suas forças e do seu esforço. É preciso fidelidade para cumprir o sim por toda a vida.

Não te abandonarei, dizem a esposa ao marido e o marido à esposa no primeiro instante do seu matrimónio. Di-lo um seminarista e depois um sacerdote no dia da sua ordenação: não te abandonarei!

E depois, o Magnificat: "a minha alma glorifica ao Senhor". Este Magnificat é já um fruto, o primeiro que depois prepara para os frutos ulteriores e para o último fruto, escatológico e à medida do homem, da pessoa humana: um fruto escatológico, uma realização definitiva da vida humana em Deus. Magnificat: e neste momento a minha alma glorifica ao Senhor. É um antegozo do início daquele fruto escatológico, daquele Magnificat último a que todos somos chamados.

Mas há talvez outro ponto: e eis que todos os homens nascem do teu sim. Deve saber-se isto: tal sim à imitação de Maria, tal sim cria a alegria, uma nova vida, um sopro, uma bênção. Um sim como o de Maria: que benção! que plenitude do bem no mundo! também com tudo o que existe de sofrimento, que é pecado neste mundo. Um sim de Maria: quantas bênçãos! quanta alegria! quanta felicidade! quanta salvação! quanta esperança! E assim, analogamente. segundo uma devida proporção, o teu sim, a tua felicidade — marido, esposa, jovem, médico, professor — o teu diferente sim cria uma alegria, o mundo renasce; e a vida humana — nas diversas dimensões, na dimensão social, nos diversos ambientes, familiares, paroquiais, profissionais — torna-se mais humana, graças a tal sim.

João Paulo II, POR OCASIÃO DA VISITA AO SEMINÁRIO MAIOR DE ROMA, 25 de Março de 1982


Sim, queridos amigos, Cristo ama-nos, sempre nos ama! Ama-nos mesmo quando O desiludimos, quando não correspondemos às suas expectativas a nosso respeito. Jamais nos fecha os braços da sua misericórdia. Como podemos não ser gratos a este Deus que nos redimiu, deixando-Se ir até à loucura da Cruz? A este Deus que Se colocou da nossa parte e aqui ficou até ao fim?

Celebrar a Eucaristia, «comendo a sua carne e bebendo o seu sangue», significa aceitar a lógica da cruz e do serviço, isto é, significa testemunhar a própria disponibilidade para se sacrificar pelos outros, como Ele fez.

De um testemunho assim, tem extrema necessidade a nossa sociedade; dele têm necessidade hoje mais do que nunca os jovens, frequentemente tentados pelas miragens duma vida fácil e cómoda, pela droga e pelo hedonismo, acabando depois nas malhas do desespero, da falta de sentido, da violência. É urgente mudar de direcção tomando o rumo de Cristo, que é também o rumo da justiça, da solidariedade, do empenho por uma sociedade e um futuro dignos do homem.

Esta é a nossa Eucaristia, esta é a resposta que Cristo espera de nós, de vós, jovens, na conclusão deste vosso Jubileu. Jesus não gosta de meias medidas e não hesita a instar-nos com a pergunta: «Também vós quereis retirar-vos?» Com Pedro, diante de Cristo, Pão de vida, também nós hoje queremos repetir: «Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna» (Jo 6, 68).

João Paulo II, Missa Encerramento da JMJ 2000

procurar a Verdade...


A espera de Cristo, também para nós, caros jovens estudantes e ilustres professores, deve traduzir-se em quotidiana busca da verdade, que ilumina as veredas da vida em cada uma das suas expressões. A verdade, depois, impele à caridade, testemunho autêntico que transforma a existência da pessoa e as próprias estruturas da sociedade.

A revelação bíblica põe em clara evidência o nexo profundo e intrínseco que existe entre verdade e caridade, quando exorta a «praticar a verdade na caridade...» (Ef 4, 15); e sobretudo quando Jesus, o revelador do Pai, afirma: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14, 6).

O vértice do conhecimento de Deus é alcançado no amor, que ilumina e transforma com a Verdade de Cristo o coração do homem. O homem tem necessidade de amor, precisa da verdade, para não dispersar o frágil tesouro da liberdade.

João Paulo II, MISSA PARA OS UNIVERSITÁRIOS EM PREPARAÇÃO PARA O NATAL, 1998

Evangelizadores...

A contemplação de Jesus, «o primeiro e o maior evangelizador», transforma-nos em evangelizadores. Faz com que tomemos consciência da sua vontade de dar a vida eterna àqueles que o Pai lhe confiou (cf. Jo 17, 2). Deus quer que «todos os homens se salvem e conheçam a verdade» (1 Tm 2, 4), e Jesus sabia que a vontade do Pai sobre Ele era que anunciasse o Reino de Deus também às outras cidades: «para isso é que fui enviado» (Lc 4, 43).

Depois, o fruto da contemplação dos «irmãos mais pequeninos» é descobrir que cada homem, mesmo se o faz de maneira que para nós é misteriosa, procura Deus, porque por Ele foi criado e é amado.

João Paulo II, Mensagem Dia Missionário Mundial 2001



Transfigura-TE...

O episódio da Transfiguração assinala um momento decisivo no ministério de Jesus. É um evento de revelação que consolida a fé no coração dos discípulos, prepara-os para o drama da Cruz, e antecipa a glória da ressurreição. É um episódio misterioso revivido incessantemente pela Igreja, povo a caminho do encontro escatológico com o seu Senhor. Como os três apóstolos escolhidos, a Igreja contempla o rosto transfigurado de Cristo, para se confirmar na fé e não correr o risco de soçobrar ao ver o seu rosto desfigurado na Cruz. Em ambos os casos, ela é a Esposa na presença do Esposo, que participa do seu mistério, envolvida pela sua luz.

Esta luz atinge todos os seus filhos, todos igualmente chamados a seguir Cristo, repondo n'Ele o sentido último da sua própria vida podendo dizer com o Apóstolo: « Para mim, o viver é Cristo » (Fil 1,21). Mas uma singular experiência dessa luz que dimana do Verbo encarnado é feita, sem dúvida, pelos que são chamados à vida consagrada. Na verdade, a profissão dos conselhos evangélicos coloca-os como sinal e profecia para a comunidade dos irmãos e para o mundo.

João Paulo II, Exortação Vita consecrata 1996


O amor da verdade...

Uma vez que o amor «paterno» de José não podia deixar de influir sobre o amor «filial» de Jesus e, vice-versa, o amor «filial» de Jesus não podia deixar de influir sobre o amor «paterno» de José, como chegar a conhecer as profundezas desta singularíssima relação? Justamente, pois, as almas mais sensíveis aos impulsos do amor divino vêem em José um exemplo luminoso de vida interior.

Mais ainda, a aparente tensão entre a vida activa e a vida contemplativa tem em José uma superação ideal, possível para quem possui a perfeição da caridade. Atendo-nos à conhecida distinção entre o amor da verdade (caritas veritatis) e as exigências do amor (necessitat caritatis), podemos dizer que José fez a experiência quer do amor da verdade, ou seja, do puro amor de contemplação da Verdade divina que irradiava da humanidade de Cristo, quer das exigências do amor, ou seja, do amor igualmente puro do serviço, requerido pela protecção e pelo desenvolvimento dessa mesma humanidade.

(João Paulo II, Exortação Redemptoris custos 1989)

Não somos orfãos...

Mesmo que o Filho nos tivesse dito só esta palavra, seria suficiente: «Vede com que amor nos amou o Pai, ao querer que fôssemos chamados filhos de Deus. E, de facto, somo-lo!» (1 Jo 3, 1). Não somos órfãos, o amor é possível. Porque – bem o sabeis – não somos capazes de amar se não somos amados.

Mas como anunciar esta boa nova? Jesus indica o caminho a seguir: pôr-se à escuta do Pai, para ser por Ele instruído (ibid., 6, 5), e observar os mandamentos (cf. ibid., 14, 23). Esse conhecimento do Pai, depois, irá crescendo: «Dei-lhes a conhecer o Teu nome e dá-lo-ei a conhecer» (ibid., 17, 26), e será obra do Espírito Santo, que guiará para a verdade total (cf. ibid., 16, 13).

Na nossa época, a Igreja e o mundo têm, mais do que nunca, necessidade de «missionários» que saibam proclamar, com a palavra e o exemplo, esta fundamental e consoladora verdade. Conscientes disto, vós, jovens de hoje e adultos do novo milénio, deixai-vos «formar» na escola de Jesus. Na Igreja e nos vários ambientes em que se realiza a vossa existência quotidiana, tornai-vos testemunhas críveis do amor do Pai! Tornai-o visível nas opções e atitudes, a fim de acolherdes as pessoas e de vos colocardes ao seu serviço, no fiel respeito da vontade de Deus e dos seus Mandamentos.

João Paulo II, Mensagem JMJ 1999


crescer...

Fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão: eis o grande desafio que nos espera no milénio que começa, se quisermos ser fiéis ao desígnio de Deus e corresponder às expectativas mais profundas do mundo.

Que significa isto em concreto? (…) Espiritualidade da comunhão significa em primeiro lugar ter o olhar do coração voltado para o mistério da Trindade, que habita em nós e cuja luz há-de ser percebida também no rosto dos irmãos que estão ao nosso redor. Espiritualidade da comunhão significa também a capacidade de sentir o irmão de fé na unidade profunda do Corpo místico, isto é, como «um que faz parte de mim», para saber partilhar as suas alegrias e os seus sofrimentos, para intuir os seus anseios e dar remédio às suas necessidades, para oferecer-lhe uma verdadeira e profunda amizade. Espiritualidade da comunhão é ainda a capacidade de ver antes de mais nada o que há de positivo no outro, para acolhê-lo e valorizá-lo como dom de Deus: um «dom para mim», como o é para o irmão que directamente o recebeu. Por fim, espiritualidade da comunhão é saber «criar espaço» para o irmão, levando «os fardos uns dos outros» (Gal 6,2) e rejeitando as tentações egoístas que sempre nos insidiam e geram competição, arrivismo, suspeitas, ciúmes. Não haja ilusões! Sem esta caminhada espiritual, de pouco servirão os instrumentos exteriores da comunhão. Revelar-se-iam mais como estruturas sem alma, máscaras de comunhão, do que como vias para a sua expressão e crescimento.

João Paulo II, Carta Pastoral No início do Novo Milénio, Janeiro 2001


Derrubai as barreiras da superficialidade...


Caríssimos jovens, como os primeiros discípulos, segui Jesus! Não tenhais medo de aproximar-vos d'Ele, de passar a entrada da sua casa, de falar com Ele face a face, como se convive com um amigo (cfr. Ex 33,11). Não tenhais medo da «vida nova» que Ele vos oferece: Ele mesmo dá-vos a possibilidade de acolhê-la e de a pôr em prática, com a ajuda da sua graça e o dom do seu Espírito.

É verdade: Jesus é um amigo exigente que indica metas altas, que pede para sair de si mesmo e ir ao Seu encontro confiando-Lhe toda a vida: «quem perder a sua própria vida por minha causa e por causa do Evangelho, salva-la-á» (Mc 8,35). Esta proposta pode parecer difícil e em alguns momentos pode mesmo meter medo. Mas – pergunto-vos – será melhor resignarem-se a uma vida sem ideais, a um mundo construído à vossa própria imagem e semelhança, ou, pelo contrário, procurar generosamente a verdade, o bem, a justiça, e trabalhar por um mundo que espelhe a beleza de Deus, mesmo que com o custo de se ter de enfrentar as provas que isso comporta?

Derrubai as barreiras da superficialidade e do medo! Reconhecendo-vos como homens e mulheres «novos», regenerados pela graça baptismal. Conversai com Jesus na oração e na escuta da palavra; saboreai a alegria da reconciliação no sacramento da Penitência; recebei o Corpo e o Sangue de Cristo na Eucaristia; acolhei-O e servi-O nos irmãos. Descobrireis a verdade sobre vós mesmos, a unidade interior, e descobrireis o «Tu» que cura das angústias, dos pesadelos, daquele subjectivismo selvagem que não deixa ninguém em paz.

João Paulo II, da Mensagem para a XII JMJ – Paris 1997

Nem penses que é impossível...

Foi "por nós, homens, e para nossa salvação" que "desceu dos Céus" (Credo). Não te admires, pois, se Jesus não tem onde reclinar a cabeça: desceu dos céus! Nem penses que é impossível Ele parar junto de ti, pedindo "preciso de ficar em tua casa": foi por ti e para a tua salvação que Ele desceu dos Céus! Para Ele, tu és único; consegue identificar-te no meio duma multidão. E, se és único para Jesus, por que hás-de esconder-te atrás da multidão? Quando falhas ao encontro com Ele deixando de rezar, ou quando não sais a recebê-Lo na Missa do domingo... nunca te desculpes: "Os outros também não vão!" É uma ofensa ao amor, porque Ele veio para ti. O amor não tolera as distâncias e suporta mal as ausências: por isso Jesus inventou a Eucaristia, onde a sua proximidade a cada um de nós excede toda a imaginação possível.

João Paulo II, da Carta enviada por ocasião do encerramento do I Cingresso Eucaristico da Diocese de Setúbal em 2003


Uma conversão radical...


"Há cristãos que pensam que podem dispensar este constante esforço espiritual, porque não sentem a urgência de se confrontarem com a verdade do Evangelho. Eles procuram esvaziar e tornar inofensivas, para que não perturbem o seu modo de viver, palavras como: "Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam" (Lc 6, 27). Estas palavras, para estas pessoas, ressoam, como nunca, difíceis de serem aceites e praticadas em coerentes comportamentos de vida. De facto, são palavras que, se forem tomadas a sério, obrigam a uma conversão radical. Ao contrário, quando somos ofendidos e feridos, a tentação é ceder aos mecanismos psicológicos da autocompaixão e da vingança, ignorando o convite de Jesus a amar o próprio inimigo. Contudo, as vicissitudes humanas de cada dia põem em relevo, com grande evidência, o modo como o perdão e a reconciliação sejam irrenunciáveis para realizar uma real renovação pessoal e social. Isto é válido tanto nas relações interpessoais, como nas relações entre comunidades e nações".


(João Paulo II, Mensagem Quaresma 2001)

Missionários pela oração...



O campo é vasto e ainda há muito a fazer: é necessária a colaboração de todos. Ninguém, com efeito, é tão pobre que não possa dar alguma coisa. Participa-se na missão, antes de tudo, com a oração, na liturgia ou no segredo do próprio quarto, com o sacrifício e a oferta a Deus dos próprios sofrimentos. Esta é a primeira colaboração que cada um pode oferecer.

testemunhas de Cristo...

Assim nos desafia João Paulo II com as palavras proferidas em Lisboa em 1991 (ler texto todo aqui)

Hoje as testemunhas de Cristo Ressuscitado sois vós: vós que escutais e acolheis a Palavra de Deus, cada um segundo a própria vocação; vós que dais testemunho tantas vezes silenciosamente da Boa Nova do Senhor Jesus, o Cristo-Rei de braços abertos a atrair ao Seu “coração manso e humilde” (Matth. 12, 29) os passos cansados dos homens deste século que, para terem tudo, muitas vezes perderam Deus! O caminho de acesso às inteligências e aos corações humanos acha-se no poder de Jesus Cristo que mantém no peito, nas mãos e pés os sinais da Sua morte redentora na Cruz.


O Evangelho chegou à vossa Terra, e não mais a deixou. Difundido largamente pelo mundo, por outros povos, permaneceu convosco. Todavia hoje, depois de tantos séculos, sentimos por todo o lado, mormente aqui na Europa, a necessidade de o Evangelho voltar de novo. Urge refazer cristãmente o tecido humano da sociedade. Nós acreditamos que as aspirações profundas do homem encontram em Cristo, e só n’Ele, a resposta cabal na sua plena dimensão.


Exorto as comunidades cristãs - paróquias, grupos, movimentos apostólicos - com todos os seus membros, a intensificarem o seu dinamismo evangelizador, e a não descurarem o seu dever de levar o Evangelho de Cristo às pessoas e ambientes dele carecidos. Tereis de vos tornar crentes corajosos, dotados de uma fé inquebrantável, alimentada constantemente por uma profunda vida interior, que faça brilhar diante dos homens cada vez com maior intensidade a Luz de Cristo.


Peço que tenhais a mesma audácia que moveu os missionários do passado, a mesma disponibilidade para escutar a Voz do Espírito.

3º dia quaresma - o Encontro...


Esta é a dimensão fundamental do encontro: não se está diante de uma coisa, mas de Alguém, do «Vivo». Os cristãos não são discípulos de um sistema filosófico: são os homens e as mulheres que fizeram, na fé, a experiência do encontro com Cristo (cfr. 1Jo 1,1-4).



(da mensagem de João Paulo II para a JMJ de Paris 1997)

2º dia da quaresma....partilhar-(se)

Bem-vindo/a a mais um dia de caminho quaresmal...


Hoje repete-nos (à inteligência e ao coração)
o Papa João Paulo II aquilo que disse em 1980:

"O espírito de penitência e a sua prática levam-nos a desapegar-nos de tudo o que possuímos de supérfluo e, algumas vezes, mesmo do necessário, que nos impede de «ser» verdadeiramente aquilo que Deus quer que sejamos: «Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração». Estará o nosso coração, porventura, apegado às riquezas materiais, ao poder sobre os outros, ou às subtilezas egoístas de dominação? Então, nesse caso, temos necessidade da Páscoa de Cristo Libertador, o qual, se nós quisermos, nos pode desembaraçar das ligaduras do pecado que nos tolhem os movimentos.



Preparemo-nos para nos deixar enriquecer com a graça da Ressurreição, desfazendo-nos de todos os falsos tesouros: os bens materiais que nos não são necessários, muitas vezes são as próprias condições de sobrevivência para milhões de seres humanos. E, para além do mínimo para a subsistência, há centenas de milhões de homens que esperam de nós que os ajudemos a chegarem a ter os meios necessários para a sua própria promoção humana integral, bem como para o desenvolvimento económico e cultural dos seus respectivos países.

Entretanto, as declarações de intenção ou um simples donativo não bastam para modificar o coração do homem; para isso, é necessária aquela conversão do espírito que nos leve, no encontro dos corações, a partilhar os bens com os menos favorecidos das nossas sociedades, com aqueles que são desapossados de tudo - por vezes, mesmo da sua dignidade de homens e de mulheres, de jovens e de crianças - e com todos os refugiados do mundo, que não podem continuar a viver na terra dos seus antepassados e que têm de abandonar a própria pátria. É então que nós encontraremos e viveremos mais intimamente o mistério da paixão e morte redentoras do Senhor Jesus. A verdadeira partilha de bens, que é encontro com os outros, ajuda-nos a libertar-nos daqueles vínculos que nos tornam escravos; e porque ela nos faz ver nos outros irmãos e irmãs, leva-nos a redescobrir que somos filhos de um mesmo Pai, «herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo» (Rom 8, 17), do qual nós retemos as riquezas incorruptíveis".

João Paulo II

(podes ler todo o texto AQUI)

As cinzas...


Assim (nos) falou João Paulo II em quarta-feira de Cinzas em 1979:


"A mensagem de quarta-feira de cinzas exprime-se com as palavras de São Paulo: Somos embaixadores de Cristo, e é Deus que vos exorta por nosso intermédio. Suplicamo-vos, pois, em nome de Cristo; Reconciliai-vos com Deus. Aquele que não havia conhecido pecado, Deus O fez pecado por nós, para que nos tornássemos n'Ele justiça de Deus (2 Cor. 5, 20-21). Colaboremos com Ele. O significado de quarta-feira de cinzas não se limita a recordar-nos a morte e o pecado; é também enérgica chamada a vencermos o pecado, a convertermo-nos. Um e outro exprimem a colaboração com Cristo".

Podes ler a totalidade do texto AQUI

Caminhar para a Páscoa...com JP2!

A partir de hoje iniciamos o caminho que nos vai levar à Páscoa de Jesus.
Vamos fazê-lo neste ano de 2011 publicando diariamente um pensamento/texto de João Paulo II e à medida que formos caminhando cada dia para um encontro profundo com Cristo estaremos também a preparar-nos espiritualmente para a Beatificação deste grande Papa e nosso Intercessor junto de Deus.
O desafio que te deixamos é que disponibilizes 5 minutos por dia para este encontro com Deus. A metodologia que vamos seguir é simples:
partindo do que nos diz o beato João Paulo II convidamos-te a anotar num caderno, num diário, numa folha...o que desperta em ti tal pensamento/texto.
se depois o quiseres partilhar connosco teremos muita alegria! basta que o faças deixando aqui um comentário ou que nos envies para o e-mail ou que o deixes no mural da nossa página do facebook.
Um bom caminho...e que a paz de Deus preencha cada recanto do teu coração!

Tocaste-me Senhor


Tarde Te amei,
Oh! Beleza tão antiga e sempre novidade.
Tarde Te amei!
Estavas dentro de mim
e eu a procurar-Te lá fora.
Sem beleza utilizava as maravilhas
que a Ti devem a existência.
Estavas comigo,
mas eu não estava contigo:
Longe de Ti andava perdido
naquilo que sem Ti não sera nada.
Mas a força da Tua voz
quebrou a minha surdez;
o brilho da Tua luz
dissipou a minha cegueira;
respirei o Teu perfume
e, agora, suspiro por ele;
porque Te saboreei
de Ti tenho fome e sede;
tocaste-me Senhor
e passei a andar no desejo da Tua paz!
Santo Agostinho

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