Arriscar!...


O anúncio evangélico não é sem riscos. A história da Igreja está constelada de exemplos de heróica fidelidade ao Evangelho. Também no nosso século, nos nossos dias, muitos dos nossos irmãos e irmãs na fé selaram com o supremo sacrifício da vida a sua plena adesão a Cristo e o seu serviço ao Reino de Deus.


Diante da perspectiva da renúncia e do sacrifício, que nalguns casos pode conduzir até ao martírio, vem ao nosso encontro a palavra confortadora de Jesus: "Não temais os que matam o corpo e, depois, nada mais podem fazer" (Lc 12, 4). As forças do mal tentam contrastar o caminho do Evangelho, procuram anular a obra da salvação e matar as testemunhas de Cristo, mas precisamente o sacrifício destes corajosos trabalhadores da vinha do Senhor constitui a prova eloquente do poder de Deus. Quantos momentos de provação a Igreja superou com a força do Espírito Santo! Quantos mártires do nosso século ofereceram a sua existência pela causa de Cristo! Do seu sacrifício brotaram abundantes frutos para a Igreja e para o Reino de Deus.


A palavra de Jesus, portanto, conforta-nos e encoraja-nos no início deste novo Ano académico: "Não temais" (Ibid., v. 7). Caríssimos, não tenhamos medo de abrir as portas do nosso coração à fé, de a tornar experiência viva na nossa existência e de a anunciar sem cessar aos nossos irmãos.


A Virgem Santa, modelo de fé e sede da Sabedoria divina, nos torne fiéis discípulos do seu Filho Jesus e generosos anunciadores da sua Palavra.



João Paulo II, HOMILIA NA MISSA DE ABERTURA DO ANO ACADÉMICO DAS UNIVERSIDADES ECLESIÁSTICAS ROMANAS


15 de Outubro de 1999




Se conhecesses o dom de Deus...


Reunimo-nos hoje aqui para contemplar o amor do Senhor Jesus, a sua bondade que se compadece de cada homem, e para contemplar o seu Coração fervoroso de amor pelo Pai, na plenitude do Espírito Santo. Cristo que nos ama, mostra-nos o seu Coração como fonte de vida e de santidade, como fonte da nossa redenção. Para compreender de modo mais profundo esta invocação, talvez seja preciso retornar ao encontro de Jesus com a Samaritana, na pequena cidade de Sicar, à beira do poço, que se encontrava ali desde os tempos do Patriarca Jacob. Tinha ido ali para tirar água. Então Jesus disse-lhe: «Dá-Me de beber», e ela respondeu-lhe: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?». O evangelista acrescenta então que os Judeus não se davam com os samaritanos. E Jesus respondeu-lhe: «Se conhecesses o dom de Deus e Quem é Aquele que te diz: 'Dá-Me de beber', tu é que lhe terias pedido, e Ele dar-te-ia uma água viva (...) a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente de água a jorrar para a vida eterna» (cf. Jo 4, 1-14). Palavras misteriosas.


Jesus é fonte; n'Ele tem início a vida divina no homem. É preciso apenas aproximar-se d'Ele, permanecer n'Ele, para ter esta vida. E o que é esta vida a não ser o início da santidade do homem? Da santidade que está em Deus e que o homem pode alcançar com a ajuda da graça? Todos desejamos beber do Coração Divino, que é fonte de vida e de santidade.



João Paulo II


HOMILIA NO ENCONTRO DE ORAÇÃO PARA O ACTO DE DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS 6 de Junho de 1999 (Polónia)


Amai..


Caros missionários e missionárias! Tende um forte amor pelas pessoas e as famílias com as quais vos haveis de encontrar. As pessoas têm necessidade de amor, de compreensão, de perdão. Tornai-vos atentos e próximos sobretudo daquelas famílias que vivem situações de dificuldade, quer no plano da fé, quer no do seu matrimónio, e também no plano da pobreza e do sofrimento. (…) Amai a Igreja, da qual sois membros, que vos envia como missionários. Ensinai com a palavra e com o exemplo a amá-la. Compartilhai com ela a paixão pela salvação dos homens. Amai a Igreja que é santa, porque purificada pelo sangue de Cristo derramado na cruz. Esforçai-vos por ser santos também vós!

João Paulo II, Eucaristia de Abertura do segundo Ano de preparação para Jubileu, Novembro 1997

Sim!...


"Não temer". Eis o elemento constitutivo da vocação: pois o homem teme. Teme não só ser chamado para o sacerdócio, mas teme também ser chamado para a vida, para as obrigações dela, para uma profissão, para o matrimónio. Teme. Este temor revela também um sentido de responsabilidade, mas não de uma responsabilidade amadurecida. Deve ser vencido o temor para chegar à responsabilidade amadurecida; deve-se acolher a chamada: deve-se ouvir, deve-se receber, devem ser avaliadas as próprias forças e deve-se responder: Sim, Sim. Não temas, não temas porque encontraste a Graça, não temas a vida, não temas a tua maternidade, não temas o teu matrimónio, não temas o teu sacerdócio porque encontraste a Graça. Esta certeza, estar consciente disto ajuda-nos como ajudou Maria: Eis que "A terra e o paraíso aguardam o teu sim, ó Virgem puríssima". São as palavras de São Bernardo, palavras famosas, lindíssimas. Aguardam o teu sim, Maria. Aguarda o teu sim, mãe que deves dar à luz; aguarda o teu sim, homem que deves assumir uma responsabilidade pessoal, familiar, social; aguarda o teu sim, tu que és chamado neste Seminário a ser sacerdote. O teu sim. Este sim amadurecido, como fruto da união de dois factores: a Graça — encontraste a Graça — e as tuas forças — estou pronto para colaborar, estou pronto a dar-me a mim mesmo —. Eis a resposta de Maria; eis a resposta de uma mãe; eis a resposta de um jovem: um sim que basta por toda a vida. Hoje teme-se, algumas vezes, assumir uma responsabilidade empenhativa para toda a vida, não só no sacerdócio mas também no matrimónio. Vede, este sim por toda a vida é a medida do homem. Em primeiro lugar é a medida da sua dignidade de pessoa; e depois é a medida das suas forças e do seu esforço. É preciso fidelidade para cumprir o sim por toda a vida.

Não te abandonarei, dizem a esposa ao marido e o marido à esposa no primeiro instante do seu matrimónio. Di-lo um seminarista e depois um sacerdote no dia da sua ordenação: não te abandonarei!

E depois, o Magnificat: "a minha alma glorifica ao Senhor". Este Magnificat é já um fruto, o primeiro que depois prepara para os frutos ulteriores e para o último fruto, escatológico e à medida do homem, da pessoa humana: um fruto escatológico, uma realização definitiva da vida humana em Deus. Magnificat: e neste momento a minha alma glorifica ao Senhor. É um antegozo do início daquele fruto escatológico, daquele Magnificat último a que todos somos chamados.

Mas há talvez outro ponto: e eis que todos os homens nascem do teu sim. Deve saber-se isto: tal sim à imitação de Maria, tal sim cria a alegria, uma nova vida, um sopro, uma bênção. Um sim como o de Maria: que benção! que plenitude do bem no mundo! também com tudo o que existe de sofrimento, que é pecado neste mundo. Um sim de Maria: quantas bênçãos! quanta alegria! quanta felicidade! quanta salvação! quanta esperança! E assim, analogamente. segundo uma devida proporção, o teu sim, a tua felicidade — marido, esposa, jovem, médico, professor — o teu diferente sim cria uma alegria, o mundo renasce; e a vida humana — nas diversas dimensões, na dimensão social, nos diversos ambientes, familiares, paroquiais, profissionais — torna-se mais humana, graças a tal sim.

João Paulo II, POR OCASIÃO DA VISITA AO SEMINÁRIO MAIOR DE ROMA, 25 de Março de 1982


Sim, queridos amigos, Cristo ama-nos, sempre nos ama! Ama-nos mesmo quando O desiludimos, quando não correspondemos às suas expectativas a nosso respeito. Jamais nos fecha os braços da sua misericórdia. Como podemos não ser gratos a este Deus que nos redimiu, deixando-Se ir até à loucura da Cruz? A este Deus que Se colocou da nossa parte e aqui ficou até ao fim?

Celebrar a Eucaristia, «comendo a sua carne e bebendo o seu sangue», significa aceitar a lógica da cruz e do serviço, isto é, significa testemunhar a própria disponibilidade para se sacrificar pelos outros, como Ele fez.

De um testemunho assim, tem extrema necessidade a nossa sociedade; dele têm necessidade hoje mais do que nunca os jovens, frequentemente tentados pelas miragens duma vida fácil e cómoda, pela droga e pelo hedonismo, acabando depois nas malhas do desespero, da falta de sentido, da violência. É urgente mudar de direcção tomando o rumo de Cristo, que é também o rumo da justiça, da solidariedade, do empenho por uma sociedade e um futuro dignos do homem.

Esta é a nossa Eucaristia, esta é a resposta que Cristo espera de nós, de vós, jovens, na conclusão deste vosso Jubileu. Jesus não gosta de meias medidas e não hesita a instar-nos com a pergunta: «Também vós quereis retirar-vos?» Com Pedro, diante de Cristo, Pão de vida, também nós hoje queremos repetir: «Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna» (Jo 6, 68).

João Paulo II, Missa Encerramento da JMJ 2000

procurar a Verdade...


A espera de Cristo, também para nós, caros jovens estudantes e ilustres professores, deve traduzir-se em quotidiana busca da verdade, que ilumina as veredas da vida em cada uma das suas expressões. A verdade, depois, impele à caridade, testemunho autêntico que transforma a existência da pessoa e as próprias estruturas da sociedade.

A revelação bíblica põe em clara evidência o nexo profundo e intrínseco que existe entre verdade e caridade, quando exorta a «praticar a verdade na caridade...» (Ef 4, 15); e sobretudo quando Jesus, o revelador do Pai, afirma: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14, 6).

O vértice do conhecimento de Deus é alcançado no amor, que ilumina e transforma com a Verdade de Cristo o coração do homem. O homem tem necessidade de amor, precisa da verdade, para não dispersar o frágil tesouro da liberdade.

João Paulo II, MISSA PARA OS UNIVERSITÁRIOS EM PREPARAÇÃO PARA O NATAL, 1998

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