Pão para a Missão...


Os dois discípulos de Emaús, depois de terem reconhecido o Senhor, «partiram imediatamente» (Lc 24,33) para comunicar o que tinham visto e ouvido. Quando se faz uma verdadeira experiência do Ressuscitado, alimentando-se do seu corpo e do seu sangue, não se pode reservar para si mesmo a alegria sentida. O encontro com Cristo, continuamente aprofundado na intimidade eucarística, suscita na Igreja e em cada cristão a urgência de testemunhar e evangelizar. (…) A despedida no final de cada Missa constitui um mandato, que impele o cristão para o dever de propagação do Evangelho e de animação cristã da sociedade.


Para tal missão, a Eucaristia oferece não apenas a força interior, mas também em determinado sentido o projecto. Na realidade, aquela é um modo de ser que passa de Jesus para o cristão e, através do seu testemunho, tende a irradiar-se na sociedade e na cultura. Para que isso aconteça, é necessário que cada fiel assimile, na meditação pessoal e comunitária, os valores que a Eucaristia exprime, as atitudes que ela inspira, os propósitos de vida que suscita.



João Paulo II


Carta ApostólicaFica entre nós Senhor


2004 – Ano da Eucaristia




Não se vive sem amor!...


O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se o não experimenta e se o não torna algo seu próprio, se nele não participa vivamente. E por isto precisamente Cristo Redentor, como já foi dito acima, revela plenamente o homem ao próprio homem. Esta é — se assim é lícito exprimir-se — a dimensão humana do mistério da Redenção. Nesta dimensão o homem reencontra a grandeza, a dignidade e o valor próprios da sua humanidade. No mistério da Redenção o homem é novamente «reproduzido» e, de algum modo, é novamente criado. Ele é novamente criado! «Não há judeu nem gentio, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher: todos vós sois um só em Cristo Jesus». O homem que quiser compreender-se a si mesmo profundamente — não apenas segundo imediatos, parciais, não raro superficiais e até mesmo só aparentes critérios e medidas do próprio ser — deve, com a sua inquietude, incerteza e também fraqueza e pecaminosidade, com a sua vida e com a sua morte, aproximar-se de Cristo. Ele deve, por assim dizer, entrar n'Ele com tudo o que é em si mesmo, deve «apropriar-se» e assimilar toda a realidade da Encarnação e da Redenção, para se encontrar a si mesmo. Se no homem se actuar este processo profundo, então ele produz frutos, não somente de adoração de Deus, mas também de profunda maravilha perante si próprio. Que grande valor deve ter o homem aos olhos do Criador, se «mereceu ter um tal e tão grande Redentor», se «Deus deu o seu Filho», para que ele, o homem, « não pereça, mas tenha a vida eterna ».


Na realidade, aquela profunda estupefacção a respeito do valor e dignidade do homem chama-se Evangelho, isto é a Boa Nova. Chama-se também Cristianismo.



João Paulo II, Encíclica o Redentor do homem, nº 10


(a sua primeira encíclica e que foi publicada em 1979)



Arriscar!...


O anúncio evangélico não é sem riscos. A história da Igreja está constelada de exemplos de heróica fidelidade ao Evangelho. Também no nosso século, nos nossos dias, muitos dos nossos irmãos e irmãs na fé selaram com o supremo sacrifício da vida a sua plena adesão a Cristo e o seu serviço ao Reino de Deus.


Diante da perspectiva da renúncia e do sacrifício, que nalguns casos pode conduzir até ao martírio, vem ao nosso encontro a palavra confortadora de Jesus: "Não temais os que matam o corpo e, depois, nada mais podem fazer" (Lc 12, 4). As forças do mal tentam contrastar o caminho do Evangelho, procuram anular a obra da salvação e matar as testemunhas de Cristo, mas precisamente o sacrifício destes corajosos trabalhadores da vinha do Senhor constitui a prova eloquente do poder de Deus. Quantos momentos de provação a Igreja superou com a força do Espírito Santo! Quantos mártires do nosso século ofereceram a sua existência pela causa de Cristo! Do seu sacrifício brotaram abundantes frutos para a Igreja e para o Reino de Deus.


A palavra de Jesus, portanto, conforta-nos e encoraja-nos no início deste novo Ano académico: "Não temais" (Ibid., v. 7). Caríssimos, não tenhamos medo de abrir as portas do nosso coração à fé, de a tornar experiência viva na nossa existência e de a anunciar sem cessar aos nossos irmãos.


A Virgem Santa, modelo de fé e sede da Sabedoria divina, nos torne fiéis discípulos do seu Filho Jesus e generosos anunciadores da sua Palavra.



João Paulo II, HOMILIA NA MISSA DE ABERTURA DO ANO ACADÉMICO DAS UNIVERSIDADES ECLESIÁSTICAS ROMANAS


15 de Outubro de 1999




Se conhecesses o dom de Deus...


Reunimo-nos hoje aqui para contemplar o amor do Senhor Jesus, a sua bondade que se compadece de cada homem, e para contemplar o seu Coração fervoroso de amor pelo Pai, na plenitude do Espírito Santo. Cristo que nos ama, mostra-nos o seu Coração como fonte de vida e de santidade, como fonte da nossa redenção. Para compreender de modo mais profundo esta invocação, talvez seja preciso retornar ao encontro de Jesus com a Samaritana, na pequena cidade de Sicar, à beira do poço, que se encontrava ali desde os tempos do Patriarca Jacob. Tinha ido ali para tirar água. Então Jesus disse-lhe: «Dá-Me de beber», e ela respondeu-lhe: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?». O evangelista acrescenta então que os Judeus não se davam com os samaritanos. E Jesus respondeu-lhe: «Se conhecesses o dom de Deus e Quem é Aquele que te diz: 'Dá-Me de beber', tu é que lhe terias pedido, e Ele dar-te-ia uma água viva (...) a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente de água a jorrar para a vida eterna» (cf. Jo 4, 1-14). Palavras misteriosas.


Jesus é fonte; n'Ele tem início a vida divina no homem. É preciso apenas aproximar-se d'Ele, permanecer n'Ele, para ter esta vida. E o que é esta vida a não ser o início da santidade do homem? Da santidade que está em Deus e que o homem pode alcançar com a ajuda da graça? Todos desejamos beber do Coração Divino, que é fonte de vida e de santidade.



João Paulo II


HOMILIA NO ENCONTRO DE ORAÇÃO PARA O ACTO DE DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS 6 de Junho de 1999 (Polónia)


Amai..


Caros missionários e missionárias! Tende um forte amor pelas pessoas e as famílias com as quais vos haveis de encontrar. As pessoas têm necessidade de amor, de compreensão, de perdão. Tornai-vos atentos e próximos sobretudo daquelas famílias que vivem situações de dificuldade, quer no plano da fé, quer no do seu matrimónio, e também no plano da pobreza e do sofrimento. (…) Amai a Igreja, da qual sois membros, que vos envia como missionários. Ensinai com a palavra e com o exemplo a amá-la. Compartilhai com ela a paixão pela salvação dos homens. Amai a Igreja que é santa, porque purificada pelo sangue de Cristo derramado na cruz. Esforçai-vos por ser santos também vós!

João Paulo II, Eucaristia de Abertura do segundo Ano de preparação para Jubileu, Novembro 1997

Sim!...


"Não temer". Eis o elemento constitutivo da vocação: pois o homem teme. Teme não só ser chamado para o sacerdócio, mas teme também ser chamado para a vida, para as obrigações dela, para uma profissão, para o matrimónio. Teme. Este temor revela também um sentido de responsabilidade, mas não de uma responsabilidade amadurecida. Deve ser vencido o temor para chegar à responsabilidade amadurecida; deve-se acolher a chamada: deve-se ouvir, deve-se receber, devem ser avaliadas as próprias forças e deve-se responder: Sim, Sim. Não temas, não temas porque encontraste a Graça, não temas a vida, não temas a tua maternidade, não temas o teu matrimónio, não temas o teu sacerdócio porque encontraste a Graça. Esta certeza, estar consciente disto ajuda-nos como ajudou Maria: Eis que "A terra e o paraíso aguardam o teu sim, ó Virgem puríssima". São as palavras de São Bernardo, palavras famosas, lindíssimas. Aguardam o teu sim, Maria. Aguarda o teu sim, mãe que deves dar à luz; aguarda o teu sim, homem que deves assumir uma responsabilidade pessoal, familiar, social; aguarda o teu sim, tu que és chamado neste Seminário a ser sacerdote. O teu sim. Este sim amadurecido, como fruto da união de dois factores: a Graça — encontraste a Graça — e as tuas forças — estou pronto para colaborar, estou pronto a dar-me a mim mesmo —. Eis a resposta de Maria; eis a resposta de uma mãe; eis a resposta de um jovem: um sim que basta por toda a vida. Hoje teme-se, algumas vezes, assumir uma responsabilidade empenhativa para toda a vida, não só no sacerdócio mas também no matrimónio. Vede, este sim por toda a vida é a medida do homem. Em primeiro lugar é a medida da sua dignidade de pessoa; e depois é a medida das suas forças e do seu esforço. É preciso fidelidade para cumprir o sim por toda a vida.

Não te abandonarei, dizem a esposa ao marido e o marido à esposa no primeiro instante do seu matrimónio. Di-lo um seminarista e depois um sacerdote no dia da sua ordenação: não te abandonarei!

E depois, o Magnificat: "a minha alma glorifica ao Senhor". Este Magnificat é já um fruto, o primeiro que depois prepara para os frutos ulteriores e para o último fruto, escatológico e à medida do homem, da pessoa humana: um fruto escatológico, uma realização definitiva da vida humana em Deus. Magnificat: e neste momento a minha alma glorifica ao Senhor. É um antegozo do início daquele fruto escatológico, daquele Magnificat último a que todos somos chamados.

Mas há talvez outro ponto: e eis que todos os homens nascem do teu sim. Deve saber-se isto: tal sim à imitação de Maria, tal sim cria a alegria, uma nova vida, um sopro, uma bênção. Um sim como o de Maria: que benção! que plenitude do bem no mundo! também com tudo o que existe de sofrimento, que é pecado neste mundo. Um sim de Maria: quantas bênçãos! quanta alegria! quanta felicidade! quanta salvação! quanta esperança! E assim, analogamente. segundo uma devida proporção, o teu sim, a tua felicidade — marido, esposa, jovem, médico, professor — o teu diferente sim cria uma alegria, o mundo renasce; e a vida humana — nas diversas dimensões, na dimensão social, nos diversos ambientes, familiares, paroquiais, profissionais — torna-se mais humana, graças a tal sim.

João Paulo II, POR OCASIÃO DA VISITA AO SEMINÁRIO MAIOR DE ROMA, 25 de Março de 1982

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