Sal e luz!...



Novas situações, tanto eclesiais como sociais, económicas, políticas e culturais, reclamam hoje, com uma força toda particular, a acção dos fiéis leigos. Se o desinteresse foi sempre inaceitável, o tempo presente torna-o ainda mais culpável. Não é lícito a ninguém ficar inactivo. (…)


Temos pois de encarar de frente este nosso mundo, com os seus valores e problemas, as suas ânsias e esperanças, as suas conquistas e fracassos: um mundo, cujas situações económicas, sociais, políticas e culturais, apresentam problemas e dificuldades mais graves do que o que foi descrito pelo Concílio na Constituição pastoral Gaudium et spes. é esta, todavia, a vinha, é este o campo no qual os fiéis leigos são chamados a viver a sua missão. Jesus quer que eles, como todos os Seus discípulos, sejam sal da terra e luz do mundo (cfr. Mt 5, 13-14).



João Paulo II, Exortação pots-Sinodal CHRISTIFIDELES LAICI 1988

entregar-se à Mãe...



Esta relação filial, este entregar-se de um filho à Mãe, não só tem o seu início em Cristo, mas pode dizer-se que está definitivamente orientado para Ele. Pode dizer-se, ainda, que Maria continua a repetir a todos as mesmas palavras, que disse outrora em Caná da Galileia: "Fazei o que ele vos disser". Com efeito, é ele, Cristo, o único Mediador entre Deus e os homens; é ele "o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14, 6); e é aquele que o Pai doou ao mundo, para que o homem "não pereça mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16). A Virgem de Nazaré tornou-se a primeira "testemunha" deste amor salvífico do Pai e deseja também permanecer a sua humilde serva sempre e em toda a parte. Em relação a todos e cada um dos cristãos e a cada um dos homens, Maria é a primeira na fé: é "aquela que acreditou"; e, precisamente com esta sua fé de esposa e de mãe, ela quer actuar em favor de todos os que a ela se entregam como filhos. E é sabido que quanto mais estes filhos perseveram na atitude de entrega e mais progridem nela, tanto mais Maria os aproxima das "insondáveis riquezas de Cristo" (Ef 3, 8). E, de modo análogo, também eles reconhecem cada vez mais em toda a sua plenitude a dignidade do homem e o sentido definitivo da sua vocação, porque "Cristo ... revela também plenamente o homem ao homem".


João Paulo II, EncíclicaA Mãe do Redentor1997, nº 46

Pão para a Missão...


Os dois discípulos de Emaús, depois de terem reconhecido o Senhor, «partiram imediatamente» (Lc 24,33) para comunicar o que tinham visto e ouvido. Quando se faz uma verdadeira experiência do Ressuscitado, alimentando-se do seu corpo e do seu sangue, não se pode reservar para si mesmo a alegria sentida. O encontro com Cristo, continuamente aprofundado na intimidade eucarística, suscita na Igreja e em cada cristão a urgência de testemunhar e evangelizar. (…) A despedida no final de cada Missa constitui um mandato, que impele o cristão para o dever de propagação do Evangelho e de animação cristã da sociedade.


Para tal missão, a Eucaristia oferece não apenas a força interior, mas também em determinado sentido o projecto. Na realidade, aquela é um modo de ser que passa de Jesus para o cristão e, através do seu testemunho, tende a irradiar-se na sociedade e na cultura. Para que isso aconteça, é necessário que cada fiel assimile, na meditação pessoal e comunitária, os valores que a Eucaristia exprime, as atitudes que ela inspira, os propósitos de vida que suscita.



João Paulo II


Carta ApostólicaFica entre nós Senhor


2004 – Ano da Eucaristia




Não se vive sem amor!...


O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se o não experimenta e se o não torna algo seu próprio, se nele não participa vivamente. E por isto precisamente Cristo Redentor, como já foi dito acima, revela plenamente o homem ao próprio homem. Esta é — se assim é lícito exprimir-se — a dimensão humana do mistério da Redenção. Nesta dimensão o homem reencontra a grandeza, a dignidade e o valor próprios da sua humanidade. No mistério da Redenção o homem é novamente «reproduzido» e, de algum modo, é novamente criado. Ele é novamente criado! «Não há judeu nem gentio, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher: todos vós sois um só em Cristo Jesus». O homem que quiser compreender-se a si mesmo profundamente — não apenas segundo imediatos, parciais, não raro superficiais e até mesmo só aparentes critérios e medidas do próprio ser — deve, com a sua inquietude, incerteza e também fraqueza e pecaminosidade, com a sua vida e com a sua morte, aproximar-se de Cristo. Ele deve, por assim dizer, entrar n'Ele com tudo o que é em si mesmo, deve «apropriar-se» e assimilar toda a realidade da Encarnação e da Redenção, para se encontrar a si mesmo. Se no homem se actuar este processo profundo, então ele produz frutos, não somente de adoração de Deus, mas também de profunda maravilha perante si próprio. Que grande valor deve ter o homem aos olhos do Criador, se «mereceu ter um tal e tão grande Redentor», se «Deus deu o seu Filho», para que ele, o homem, « não pereça, mas tenha a vida eterna ».


Na realidade, aquela profunda estupefacção a respeito do valor e dignidade do homem chama-se Evangelho, isto é a Boa Nova. Chama-se também Cristianismo.



João Paulo II, Encíclica o Redentor do homem, nº 10


(a sua primeira encíclica e que foi publicada em 1979)



Arriscar!...


O anúncio evangélico não é sem riscos. A história da Igreja está constelada de exemplos de heróica fidelidade ao Evangelho. Também no nosso século, nos nossos dias, muitos dos nossos irmãos e irmãs na fé selaram com o supremo sacrifício da vida a sua plena adesão a Cristo e o seu serviço ao Reino de Deus.


Diante da perspectiva da renúncia e do sacrifício, que nalguns casos pode conduzir até ao martírio, vem ao nosso encontro a palavra confortadora de Jesus: "Não temais os que matam o corpo e, depois, nada mais podem fazer" (Lc 12, 4). As forças do mal tentam contrastar o caminho do Evangelho, procuram anular a obra da salvação e matar as testemunhas de Cristo, mas precisamente o sacrifício destes corajosos trabalhadores da vinha do Senhor constitui a prova eloquente do poder de Deus. Quantos momentos de provação a Igreja superou com a força do Espírito Santo! Quantos mártires do nosso século ofereceram a sua existência pela causa de Cristo! Do seu sacrifício brotaram abundantes frutos para a Igreja e para o Reino de Deus.


A palavra de Jesus, portanto, conforta-nos e encoraja-nos no início deste novo Ano académico: "Não temais" (Ibid., v. 7). Caríssimos, não tenhamos medo de abrir as portas do nosso coração à fé, de a tornar experiência viva na nossa existência e de a anunciar sem cessar aos nossos irmãos.


A Virgem Santa, modelo de fé e sede da Sabedoria divina, nos torne fiéis discípulos do seu Filho Jesus e generosos anunciadores da sua Palavra.



João Paulo II, HOMILIA NA MISSA DE ABERTURA DO ANO ACADÉMICO DAS UNIVERSIDADES ECLESIÁSTICAS ROMANAS


15 de Outubro de 1999




Se conhecesses o dom de Deus...


Reunimo-nos hoje aqui para contemplar o amor do Senhor Jesus, a sua bondade que se compadece de cada homem, e para contemplar o seu Coração fervoroso de amor pelo Pai, na plenitude do Espírito Santo. Cristo que nos ama, mostra-nos o seu Coração como fonte de vida e de santidade, como fonte da nossa redenção. Para compreender de modo mais profundo esta invocação, talvez seja preciso retornar ao encontro de Jesus com a Samaritana, na pequena cidade de Sicar, à beira do poço, que se encontrava ali desde os tempos do Patriarca Jacob. Tinha ido ali para tirar água. Então Jesus disse-lhe: «Dá-Me de beber», e ela respondeu-lhe: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?». O evangelista acrescenta então que os Judeus não se davam com os samaritanos. E Jesus respondeu-lhe: «Se conhecesses o dom de Deus e Quem é Aquele que te diz: 'Dá-Me de beber', tu é que lhe terias pedido, e Ele dar-te-ia uma água viva (...) a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente de água a jorrar para a vida eterna» (cf. Jo 4, 1-14). Palavras misteriosas.


Jesus é fonte; n'Ele tem início a vida divina no homem. É preciso apenas aproximar-se d'Ele, permanecer n'Ele, para ter esta vida. E o que é esta vida a não ser o início da santidade do homem? Da santidade que está em Deus e que o homem pode alcançar com a ajuda da graça? Todos desejamos beber do Coração Divino, que é fonte de vida e de santidade.



João Paulo II


HOMILIA NO ENCONTRO DE ORAÇÃO PARA O ACTO DE DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS 6 de Junho de 1999 (Polónia)


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