Ser Cristão...Hoje!



Que significa ser cristão hoje, aqui e agora? Ser cristão nunca foi fácil e tão-pouco o é hoje. Seguir Cristo exige a coragem de opções radicais, frequentemente contra a corrente. "Nós somos Cristo!", exclamava Santo Agostinho. Os mártires e as testemunhas da fé de ontem e de hoje, entre os quais tantos fiéis leigos, demonstram que, se for necessário, por Jesus Cristo não se deve hesitar nem sequer em dar a própria vida.(…) A santidade continua a ser o maior desafio para os fiéis. Devemos estar gratos ao Concílio Vaticano II que nos recordou que todos os cristãos são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade.


Caríssimos, não tenhais medo de enfrentar este desafio: ser homens e mulheres santos! Não esqueçais que os frutos do apostolado dependem da profundidade da vida espiritual, da intensidade da oração, de uma formação constante e de uma adesão sincera às directrizes da Igreja. Repito-vos hoje, como fiz aos jovens durante a recente Jornada Mundial da Juventude, que se fordes o que deveis ser isto é, se viverdes o cristianismo sem comprometimentos podereis incendiar o mundo.


Esperam-vos deveres e metas que podem parecer desproporcionados às forças humanas. Não percais a coragem! "Aquele que em vós iniciou esse bom trabalho, vai continuá-lo até que seja concluído" (Fl 1, 6). Conservai sempre fixo o olhar em Jesus. Fazei d'Ele o coração do mundo.


João Paulo II, JUBILEU DO APOSTOLADO DOS LEIGOS, Novembro de 2000


Um toque de amor...



A Cruz é o modo mais profundo de a divindade se debruçar sobre a humanidade e sobre tudo aquilo que o homem-especialmente nos momentos difíceis e dolorosos-considera seu infeliz destino. A cruz é como que um toque do amor eterno nas feridas mais dolorosas da existência terrena do homem, é o cumprir-se cabalmente do programa messiânico, que Cristo um dia tinha formulado na sinagoga de Nazaré e que repetiu depois diante dos enviados de João Baptista.



João Paulo II, Carta encíclica sobre a Misericórdia Divina, 1980

Sal e luz!...



Novas situações, tanto eclesiais como sociais, económicas, políticas e culturais, reclamam hoje, com uma força toda particular, a acção dos fiéis leigos. Se o desinteresse foi sempre inaceitável, o tempo presente torna-o ainda mais culpável. Não é lícito a ninguém ficar inactivo. (…)


Temos pois de encarar de frente este nosso mundo, com os seus valores e problemas, as suas ânsias e esperanças, as suas conquistas e fracassos: um mundo, cujas situações económicas, sociais, políticas e culturais, apresentam problemas e dificuldades mais graves do que o que foi descrito pelo Concílio na Constituição pastoral Gaudium et spes. é esta, todavia, a vinha, é este o campo no qual os fiéis leigos são chamados a viver a sua missão. Jesus quer que eles, como todos os Seus discípulos, sejam sal da terra e luz do mundo (cfr. Mt 5, 13-14).



João Paulo II, Exortação pots-Sinodal CHRISTIFIDELES LAICI 1988

entregar-se à Mãe...



Esta relação filial, este entregar-se de um filho à Mãe, não só tem o seu início em Cristo, mas pode dizer-se que está definitivamente orientado para Ele. Pode dizer-se, ainda, que Maria continua a repetir a todos as mesmas palavras, que disse outrora em Caná da Galileia: "Fazei o que ele vos disser". Com efeito, é ele, Cristo, o único Mediador entre Deus e os homens; é ele "o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14, 6); e é aquele que o Pai doou ao mundo, para que o homem "não pereça mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16). A Virgem de Nazaré tornou-se a primeira "testemunha" deste amor salvífico do Pai e deseja também permanecer a sua humilde serva sempre e em toda a parte. Em relação a todos e cada um dos cristãos e a cada um dos homens, Maria é a primeira na fé: é "aquela que acreditou"; e, precisamente com esta sua fé de esposa e de mãe, ela quer actuar em favor de todos os que a ela se entregam como filhos. E é sabido que quanto mais estes filhos perseveram na atitude de entrega e mais progridem nela, tanto mais Maria os aproxima das "insondáveis riquezas de Cristo" (Ef 3, 8). E, de modo análogo, também eles reconhecem cada vez mais em toda a sua plenitude a dignidade do homem e o sentido definitivo da sua vocação, porque "Cristo ... revela também plenamente o homem ao homem".


João Paulo II, EncíclicaA Mãe do Redentor1997, nº 46

Pão para a Missão...


Os dois discípulos de Emaús, depois de terem reconhecido o Senhor, «partiram imediatamente» (Lc 24,33) para comunicar o que tinham visto e ouvido. Quando se faz uma verdadeira experiência do Ressuscitado, alimentando-se do seu corpo e do seu sangue, não se pode reservar para si mesmo a alegria sentida. O encontro com Cristo, continuamente aprofundado na intimidade eucarística, suscita na Igreja e em cada cristão a urgência de testemunhar e evangelizar. (…) A despedida no final de cada Missa constitui um mandato, que impele o cristão para o dever de propagação do Evangelho e de animação cristã da sociedade.


Para tal missão, a Eucaristia oferece não apenas a força interior, mas também em determinado sentido o projecto. Na realidade, aquela é um modo de ser que passa de Jesus para o cristão e, através do seu testemunho, tende a irradiar-se na sociedade e na cultura. Para que isso aconteça, é necessário que cada fiel assimile, na meditação pessoal e comunitária, os valores que a Eucaristia exprime, as atitudes que ela inspira, os propósitos de vida que suscita.



João Paulo II


Carta ApostólicaFica entre nós Senhor


2004 – Ano da Eucaristia




Não se vive sem amor!...


O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se o não experimenta e se o não torna algo seu próprio, se nele não participa vivamente. E por isto precisamente Cristo Redentor, como já foi dito acima, revela plenamente o homem ao próprio homem. Esta é — se assim é lícito exprimir-se — a dimensão humana do mistério da Redenção. Nesta dimensão o homem reencontra a grandeza, a dignidade e o valor próprios da sua humanidade. No mistério da Redenção o homem é novamente «reproduzido» e, de algum modo, é novamente criado. Ele é novamente criado! «Não há judeu nem gentio, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher: todos vós sois um só em Cristo Jesus». O homem que quiser compreender-se a si mesmo profundamente — não apenas segundo imediatos, parciais, não raro superficiais e até mesmo só aparentes critérios e medidas do próprio ser — deve, com a sua inquietude, incerteza e também fraqueza e pecaminosidade, com a sua vida e com a sua morte, aproximar-se de Cristo. Ele deve, por assim dizer, entrar n'Ele com tudo o que é em si mesmo, deve «apropriar-se» e assimilar toda a realidade da Encarnação e da Redenção, para se encontrar a si mesmo. Se no homem se actuar este processo profundo, então ele produz frutos, não somente de adoração de Deus, mas também de profunda maravilha perante si próprio. Que grande valor deve ter o homem aos olhos do Criador, se «mereceu ter um tal e tão grande Redentor», se «Deus deu o seu Filho», para que ele, o homem, « não pereça, mas tenha a vida eterna ».


Na realidade, aquela profunda estupefacção a respeito do valor e dignidade do homem chama-se Evangelho, isto é a Boa Nova. Chama-se também Cristianismo.



João Paulo II, Encíclica o Redentor do homem, nº 10


(a sua primeira encíclica e que foi publicada em 1979)



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